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Orador Convidado

(AI)2 : Ambient Intelligence Artificial Intelligence

por Prof. Doutor Carlos Ramos, Director do GECAD, ISEP, Instituto Politécnico do Porto, Portugal

Resumo

A Inteligência Artificial tem acompanhado o desenvolvimento da Informática. Desde a construção dos primeiros modelos e hardware relacionados com neurónios artificiais, passando pelos Sistemas Inteligentes instalados num computador ou rede de computadores, até a Web Semântica com Ontologias e Agentes Inteligentes que se tenta criar hoje em dia, a Inteligência Artificial percorreu um vasto caminho. Do hardware para o computador, do computador para a rede local, da rede local para a Internet, da Internet para a Web, a Inteligência Artificial acompanhou sempre as tendências da computação, embora estando sempre um passo a frente em termos daquilo que se pode obter com a infraestrutura existente.

Será que o desenvolvimento acaba na Web? Ou será que esta constituirá a infraestrutura do desafio seguinte? Tal como a Web assentou na Internet, esta nas redes locais, estas nos computadores e estes no hardware, também a Web fará parte da infraestrutura essencial do desafio seguinte: os Ambientes Inteligentes.

A tendência na direcção da miniaturização e redução dos custos do hardware tem permitido incorporar dispositivos computacionais em diversos objectos ou ambientes (embedded systems). O desenvolvimento das comunicações móveis (GSM, GPRS, WiFi, Bluetooth), sem fios, tem permitido a ubiquidade computacional. A localização no espaço (GPS, RFID) tem permitido referenciar onde se encontra uma dada pessoa ou objecto. Grandes desenvolvimentos estão a ser feitos na interacção com o ser humano (generalização de touch screens, interfaces de voz, reconhecimento visual de faces ou de gestos). Há um mundo novo a explorar.

É assim que surge a Ambient Intelligence (AmI), cuja tradução correcta será Inteligência Ambiental, mas que é normalmente traduzida por Ambientes Inteligentes. Os Ambientes Inteligentes lidam com um novo mundo onde os dispositivos computacionais estão em todos os lados, permitindo ao ser humano interagir com os ambientes físicos de um modo inteligente e não obstrutivo. Tais ambientes devem ser sensíveis às necessidades do ser humano, personalizando requisitos e prevendo comportamentos.

Os Ambientes Inteligentes podem ser muito diversos, tais como casas, escritórios, salas de reuniões, escolas, hospitais, centros de controlo, transportes, atracções turísticas, lojas, instalações desportivas, dispositivos musicais, etc.

Os Ambientes Inteligentes envolvem muitas áreas, tais como Automação (sensores, controlo, actuadores), interacção Homem-Máquina e Computação Gráfica, Computação Ubíqua, Sistemas Incorporados e Inteligência Artificial.

Nesta apresentação iremos focar na componente de Inteligência Artificial nos Ambientes Inteligentes, por ser essa componente que permite dotar o ser humano de um maior suporte à decisão, fornecendo-lhe o conhecimento essencial à tomada de decisões acertadas quando se interage com tais ambientes.

Serão apresentados vários projectos em curso que visam atingir os objectivos dos Ambientes Inteligentes orientados para o suporte à tomada de decisões. Em particular serão abordados 4 projectos em curso no Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão (GECAD) do Instituto Superior de Engenharia do Politécnico do Porto (ISEP/IPP).

O projecto AMBITION é a continuação natural do projecto ArgEmotionAgents e visa criar um Ambiente Inteligente para uma sala de reuniões onde decorra uma reunião em grupo, a qual poderá ser assíncrona e descentralizada. É tratada a componente emocional do processo e é dado suporte à Argumentação considerando tal componente.

O projecto FlyMaster visa criar um Assistente de Bordo para pilotos de voo livre (parapente, asa delta, etc). Tal assistente de bordo torna o dispositivo de voo num ambiente inteligente, quer para fins lúdicos quer para suporte à competição.

O projecto AmI-COTrainnee? visa criar um Ambiente Inteligente de treino de operadores de Centros de Controlo e Condução de Redes Eléctricas de modo a lidarem com o diagnóstico e reposição em serviço em situações críticas de um modo colaborativo.

O projecto iShopGLASS é um projecto que visa tornar um vidro de uma loja num dispositivo de interacção inteligente, podendo captar o perfil do utilizador com base na interacção que este estabelece com o vidro.

Estes 4 projectos ilustram 4 situações diferentes de ambientes inteligentes: a Sala de Reuniões; o dispositivo de voo livre; o Centro de Controlo e a Loja. Serão ainda abordados alguns outros exemplos de Ambientes Inteligentes.

Iremos tentar estabelecer a conclusão de que sem Inteligência Artificial será difícil dispor de Ambientes verdadeiramente inteligentes.

 

CV Resumido

Professor Carlos Ramos:

Carlos Ramos licenciou-se em Engenharia Electrotécnica em 1986 pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) com 17 valores, tendo nesse mesmo ano começado a leccionar nessa instituição. Doutorou-se em Engenharia Electrotécnica e Computadores pela mesma Faculdade em 1993, na área da Inteligência Artificial e Robótica. Nesse mesmo ano passa a colaborar com o Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico do Porto (ISEP/IPP), onde é contratado como Professor Coordenador, vindo a obter a Agregação também na FEUP em 2001.  

É Director do GECAD – Grupo de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à Decisão, unidade de I&D com sede no ISEP/IPP.

Coordenou 17 projectos de I&D financiados por diversas instituições (FCT, AdI, FLAD, Comissão Europeia). Orientou 10 Teses de Doutoramento já finalizadas e defendidas com sucesso e orienta actualmente mais 2 em curso. Orientou 16 Teses de Mestrado já finalizadas e defendidas com sucesso e orienta mais uma Tese de Mestrado em curso.

Dispõe de cerca de 50 publicações em revistas científicas e mais de 250 publicações em conferências.

Já trabalhou nas mais diversas áreas da Inteligência Artificial, nomeadamente na Língua Natural, na Visão por Computador, na Robótica e Manufactura Inteligentes, no Planeamento Automático, nos Sistemas Periciais, nos Sistemas Multi-Agente, na Programação em Lógica com Restrições, na Descoberta de Conhecimento, na Inteligência Computacional, nas Interfaces Inteligentes, nos Tutores Inteligentes, na Computação Afectiva, etc. Actualmente encontra-se a dinamizar a área de Ambientes Inteligentes (Ambient Intelligence).

 

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