A Inteligência Artificial tem acompanhado o
desenvolvimento da Informática. Desde a construção dos
primeiros modelos e hardware relacionados com neurónios
artificiais, passando pelos Sistemas Inteligentes
instalados num computador ou rede de computadores, até a
Web Semântica com Ontologias e Agentes Inteligentes que se
tenta criar hoje em dia, a Inteligência Artificial
percorreu um vasto caminho. Do hardware para o computador,
do computador para a rede local, da rede local para a
Internet, da Internet para a Web, a Inteligência
Artificial acompanhou sempre as tendências da computação,
embora estando sempre um passo a frente em termos daquilo
que se pode obter com a infraestrutura existente.
Será que o desenvolvimento acaba na Web? Ou será que esta
constituirá a infraestrutura do desafio seguinte? Tal como
a Web assentou na Internet, esta nas redes locais, estas
nos computadores e estes no hardware, também a Web fará
parte da infraestrutura essencial do desafio seguinte: os
Ambientes Inteligentes.
A tendência na direcção da miniaturização e redução dos
custos do hardware tem permitido incorporar dispositivos
computacionais em diversos objectos ou ambientes (embedded
systems). O desenvolvimento das comunicações móveis (GSM,
GPRS, WiFi, Bluetooth), sem fios, tem permitido a
ubiquidade computacional. A localização no espaço (GPS,
RFID) tem permitido referenciar onde se encontra uma dada
pessoa ou objecto. Grandes desenvolvimentos estão a ser
feitos na interacção com o ser humano (generalização de
touch screens, interfaces de voz, reconhecimento visual de
faces ou de gestos). Há um mundo novo a explorar.
É assim que surge a Ambient Intelligence (AmI), cuja
tradução correcta será Inteligência Ambiental, mas que é
normalmente traduzida por Ambientes Inteligentes. Os
Ambientes Inteligentes lidam com um novo mundo onde os
dispositivos computacionais estão em todos os lados,
permitindo ao ser humano interagir com os ambientes
físicos de um modo inteligente e não obstrutivo. Tais
ambientes devem ser sensíveis às necessidades do ser
humano, personalizando requisitos e prevendo
comportamentos.
Os Ambientes Inteligentes podem ser muito diversos, tais
como casas, escritórios, salas de reuniões, escolas,
hospitais, centros de controlo, transportes, atracções
turísticas, lojas, instalações desportivas, dispositivos
musicais, etc.
Os Ambientes Inteligentes envolvem muitas áreas, tais como
Automação (sensores, controlo, actuadores), interacção
Homem-Máquina e Computação Gráfica, Computação Ubíqua,
Sistemas Incorporados e Inteligência Artificial.
Nesta apresentação iremos focar na componente de
Inteligência Artificial nos Ambientes Inteligentes, por
ser essa componente que permite dotar o ser humano de um
maior suporte à decisão, fornecendo-lhe o conhecimento
essencial à tomada de decisões acertadas quando se
interage com tais ambientes.
Serão apresentados vários projectos em curso que visam
atingir os objectivos dos Ambientes Inteligentes
orientados para o suporte à tomada de decisões. Em
particular serão abordados 4 projectos em curso no Grupo
de Investigação em Engenharia do Conhecimento e Apoio à
Decisão (GECAD) do Instituto Superior de Engenharia do
Politécnico do Porto (ISEP/IPP).
O projecto AMBITION é a continuação natural do projecto
ArgEmotionAgents e visa criar um Ambiente Inteligente para
uma sala de reuniões onde decorra uma reunião em grupo, a
qual poderá ser assíncrona e descentralizada. É tratada a
componente emocional do processo e é dado suporte à
Argumentação considerando tal componente.
O projecto FlyMaster visa criar um Assistente de Bordo
para pilotos de voo livre (parapente, asa delta, etc). Tal
assistente de bordo torna o dispositivo de voo num
ambiente inteligente, quer para fins lúdicos quer para
suporte à competição.
O projecto AmI-COTrainnee? visa criar um Ambiente
Inteligente de treino de operadores de Centros de Controlo
e Condução de Redes Eléctricas de modo a lidarem com o
diagnóstico e reposição em serviço em situações críticas
de um modo colaborativo.
O projecto iShopGLASS é um projecto que visa tornar um
vidro de uma loja num dispositivo de interacção
inteligente, podendo captar o perfil do utilizador com
base na interacção que este estabelece com o vidro.
Estes 4 projectos ilustram 4 situações diferentes de
ambientes inteligentes: a Sala de Reuniões; o dispositivo
de voo livre; o Centro de Controlo e a Loja. Serão ainda
abordados alguns outros exemplos de Ambientes
Inteligentes.
Iremos tentar estabelecer a conclusão de que sem
Inteligência Artificial será difícil dispor de Ambientes
verdadeiramente inteligentes.